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Marcha das centrais pressiona governo

Por Márcia Xavier, no sítio Vermelho:
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Em uma demonstração de unidade e mobilização, as centrais sindicais e os movimentos sociais reuniram cerca de 40 mil trabalhadores nesta quarta-feira (6), na 7ª Marcha a Brasília. Os manifestantes também demonstraram resistência física ao atravessarem – sob sol forte e calor intenso, por mais de duas horas, o percurso da Marcha até a Esplanada dos Ministérios; e acompanharem, por igual período, os discursos dos líderes sindicais e sociais.

Para a multidão que empunhava bandeiras, faixas e balões, em camisetas coloridas que identificaram as centrais sindicais – Força Sindical, CUT, CTB, Nova Central e UGT – os oradores destacavam a importância dos movimentos sindicais e sociais se unirem para pressionar o governo da presidenta Dilma a avançar nas conquistas que marcaram os últimos 10 anos do Brasil.

Os discursos celebraram a unidade dos trabalhadores com o movimento de mulheres, jovens e camponeses e destacaram as bandeiras de luta dos movimentos sindicais, com ênfase para o fim do fator previdenciário e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, para os trabalhadores da cidade; e a reforma agrária, para os trabalhadores do campo.

Os oradores também homenagem o presidente venezuelano Hugo Chávez, que morreu nesta terça-feira (5); e às mulheres, que comemoram o seu Dia Internacional nesta sexta-feira – 8 de Março.

Parlamentares ligados aos trabalhadores também participaram da manifestação. Os senadores Inácio Arruda (PCdoB-CE) e Paulo Paim (PT-RS) foram lembrados pelo presidente da CTB, Wagner Gomes, como os dois lutadores pela redução da jornada de trabalho. Segundo Inácio Arruda, a matéria, já aprovada por unanimidade na comissão especial, está pronta para ser votada no Plenário da Câmara.

Recursos para educação

A destinação dos recursos do pré-sal para educação foi muito enfatizada nas falas. E esteve presente principalmente no discurso do presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), Daniel Iliescu. Ele, a exemplo dos outros oradores, permeou o seu discurso com as comemorações das conquistas e o desafio de novos avanços.

“Nós somos um povo vitorioso. Vencemos a ditadura, elegemos um metalúrgico para presidente do Brasil, depois elegemos uma mulher, derrubamos os juros e agora queremos recursos para o desenvolvimento”, disse ele.

Lúcia Stumpf, secretária nacional de movimentos sociais do PCdoB, falou sobre a importância e necessidade da união entre as centrais sindicais e os movimentos sociais para pressionar o governo e o parlamento para debater e aprovar a pauta dos trabalhadores e do desenvolvimento do país.

“A melhor forma de luto é a luta”

A representante da CUT, Kelly dos Santos, ao iniciar sua fala, fez, a exemplo dos outros oradores, uma homenagem a Hugo Chávez, dizendo que “a melhor forma de luto é a luta”. Ela destacou que a marcha é uma demonstração concreta do que a classe trabalhadora – do campo e da cidade – é capaz de fazer, unida. E denunciou que a reforma agrária, que pode melhorar a qualidade de vida do trabalhador do campo, está bloqueada pela ação do agronegócio.

Joilson Cardoso, da CTB, leu a nota das centrais sindicais denunciando a morte de um jovem indígena no Mato Grosso do Sul, em fevereiro passado, assassinado com um tiro na cabeça por um latifundiário da região. Ele disse que a morte do jovem indígena não pode ser considerada uma banalidade e é resultante do conflito de terra no interior do Brasil, que não tem recebido a devida atenção do governo federal.

Reuniões com autoridades

Após a manifestação, as lideranças sindicais cumpririam uma extensa agenda de reunião com as autoridades de Brasilia, incluindo a presidenta Dilma Rousseff, às 17 horas, para entrega das 12 reivindicações que pretendem negociar com o governo, como o fim do fator previdenciário, a redução da jornada de trabalho para 40 horas e a política de valorização dos aposentados.

Às 14 horas, elas se encontram com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, às 15 horas, com o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves (PMDB-RN) e no final da tarde com a presidenta Dilma.

A pauta dos trabalhadores está centrada na melhoria da qualidade de vida do trabalhador, mas com desenvolvimento econômico e distribuição de renda, explica o deputado Assis Melo (PCdoB-RS), que é também membro da CTB. Também o deputado Chico Lopes (PCdoB-CE) e o deputado estadual de São Paulo, Alcides Amazonas (PCdoB), participaram do ato, quando manifestaram total apoio à luta dos trabalhadores e compromisso com a pauta trabalhista.

Além das 40 horas semanais sem redução de salário; fim do fator previdenciário; política de valorização dos aposentados, a pauta inclui ainda 10% do PIB (Produto Interno Bruto) para a educação, 10% do Orçamento da União para a saúde, igualdade de oportunidade entre homens e mulheres, ratificação da Convenção 158 e regulamentação da Convenção 151 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), correção da Tabela do Imposto de Renda e ampliação do investimento público.

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